Gestação · Ansiedade

Ansiedade na gravidez faz mal ao bebê?

Se você chegou até aqui com o coração apertado, respira. Sentir ansiedade na gestação não faz de você uma mãe ruim, e uma preocupação passageira não prejudica o seu bebê. Vamos entender quando ela é esperada e quando merece cuidado.

Por Ariádna Brandão, psicóloga materna e neuropsicóloga · CRP 16/2037

Primeiro: você não é a única

Exames, o desenvolvimento do bebê, o parto, o corpo mudando, a rotina que nunca mais vai ser a mesma. É natural que tudo isso traga preocupação. Estimativas citadas em pesquisas apontam que cerca de uma em cada quatro gestantes tem sintomas ligados ao estresse, em todas as condições sociais (Correio Braziliense, sobre estudo publicado no JAMA Network Open).

Muitas gestantes pesquisam escondido, de madrugada, frases como ficar nervosa e chorar na gravidez prejudica o bebê?. Se você fez isso, saiba: essa pergunta já mostra o quanto você se importa com ele.

Chorar ou ficar nervosa de vez em quando faz mal ao bebê?

Não. A ansiedade ocasional, aquela que vem e vai, faz parte da vida e da gestação, e não prejudica o bebê (Maternidade D'Or). Um dia difícil, um choro, um susto ou uma discussão não “marcam” o seu filho.

Então quando a ansiedade merece atenção?

Quando ela deixa de ser passageira e passa a ocupar o seu dia. Alguns sinais:

  • Preocupação que não desliga, com pensamentos de que algo vai dar errado com o bebê.
  • Medo constante, inclusive do parto, que tira o sono.
  • Dificuldade de relaxar ou de se concentrar.
  • Irritação, choro frequente ou um cansaço emocional que você não consegue explicar.
  • Vontade de evitar consultas e exames por medo do que vai ouvir.
  • Coração acelerado, falta de ar ou sensação de crise.

Tristeza que não passa, perda de interesse pelas coisas e culpa muito intensa também merecem atenção, porque podem indicar depressão na gestação.

E a ansiedade intensa, pode afetar o bebê?

Pesquisas associam níveis altos e persistentes de ansiedade, estresse e depressão na gestação, principalmente quando não há acompanhamento, a desfechos menos favoráveis para a mãe e para o bebê. Associação não é sentença: não quer dizer que vai acontecer, e muito menos que é culpa sua. Quer dizer que cuidar das emoções na gestação também é uma forma de cuidar do bebê.

Você não precisa controlar tudo o que sente. Precisa de um lugar seguro para cuidar do que está pesando.

O que ajuda no dia a dia

  • Nomear o que sente. Dizer “estou com medo do parto” costuma aliviar mais do que fingir que está tudo bem.
  • Separar preocupação de informação. Pesquisar sintomas de madrugada costuma aumentar o medo. Leve as dúvidas para o pré-natal.
  • Respirar devagar. Soltar o ar mais lentamente do que puxa ajuda o corpo a sair do modo alerta.
  • Pedir e aceitar ajuda. Rede de apoio não é luxo, é cuidado.
  • Conversar com o seu obstetra. Ele pode avaliar e indicar acompanhamento. Se você já usa algum remédio, não interrompa nem altere por conta própria.

Como a psicoterapia ajuda na gestação

Na psicologia perinatal, que cuida da saúde emocional da mulher da gestação ao pós-parto, a psicoterapia é um pré-natal da mente. Com a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), você entende de onde vêm as preocupações, aprende ferramentas práticas para acalmar o corpo e os pensamentos e se prepara para o parto e para a chegada do bebê, com menos culpa, menos cobrança e mais leveza.

O atendimento pode ser on-line, de casa, sem deslocamento, inclusive no fim da gestação e depois que o bebê nascer.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de crise, ligue 188 (CVV, 24 horas) ou 192 (SAMU).

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